Olá, querida, tudo bem?
Na sexta te contei uma cena de quando a Nara tinha uns 7 anos e eu consegui frear a bronca que deu vontade de dar nela a tempo usando a Pausa Consciente, um recurso que venho desenvolvendo desde que ela era pequena. Hoje quero te contar outra cena dessa mesma época, mais delicada, porque toca num ponto que pra mim sempre foi muito mais difícil de mudar.
Aqui sempre precisei me vigiar muito pra não sair ignorando a Nara quando ela faz algo que me incomoda. É um dos meus comportamentos automáticos que eu tenho até hoje quando não consigo me autorregular.
Naquele dia, tive que me segurar pra não deixar ela no vácuo quando me irritei porque ela abriu um suco de caixinha que estava na mochila dela. Ela não tinha ido pra escola porque estava com muita tosse, e acabou abrindo o suco do lanche — coisa que eu pedia pra ela não fazer, porque sempre tem suco aberto na geladeira e esses sucos do lanche são de passeio e mais caros.
Ela com certeza esqueceu, não fez de propósito. Mas na minha cabeça surgiram várias frases julgando ela: "não me escuta", "não liga pra mim", "é teimosa", "é irresponsável".
Meu impulso foi ficar de mal com ela, fazer cara feia e parar de falar com ela pra que ela visse só como aquilo era errado, como ela não tinha o direito de fazer aquilo.
Os pensamentos que surgiram na minha mente eram reproduções da forma como eu me sentia vista pelos meus pais quando criança — e tratada por eles. Eles me julgavam e depois agiam assim pra me controlar, certamente repetindo a forma como foram educados.
É impressionante como a educação tradicional nos condicionou a ver maldade nas crianças e a acreditar que elas só vão aprender o que é certo se a gente as tratar mal.
Mas o que a criança sente nessas horas em que a gente emburra, dá uma bufada ou deixa de falar com ela pra "corrigi-la"? Que o nosso amor por ela está sob ameaça. 💔
A criança fica desesperada porque precisa se sentir amada e não quer correr o risco de ser rejeitada por nós. Ela pode até agir da forma "correta" depois, mas por conta do medo de perder o nosso amor — não porque entendeu a importância de fazer escolhas mais conscientes (e não desperdiçar o suco mais caro enquanto tinha um suco aberto na geladeira, no exemplo dessa cena).
Pra não sair andando sem falar com a Nara nessas situações, precisei me autoeducar muito. Hoje já consigo reconhecer quando a minha criança interior ferida está louca pra agir desse jeito com ela, e me conter alguns minutos antes de seguir o impulso. Me recomponho rapidinho, peço desculpas quando é o caso, e busco outra forma de ensinar a ela o que acredito que ela precisa aprender naquela ocasião. Porque podemos sim ensinar sem fazer a criança se sentir mal.
O que me ajuda nesses momentos é a Pausa Consciente, pra me distanciar dos pensamentos que me impedem de conectar com a Nara e com o momento presente.
E você? Quando a criança faz algo que te incomoda, qual é o seu impulso? Gritar, dar bronca, sermão, palmada, deixar no vácuo, fingir indiferença? Será que ele se parece com algo que você mesma viveu na infância?
E é justamente pra te ajudar nessas horas que eu queria te fazer um convite: estou com uma nova edição ao vivo do meu workshop Respira, Não Pira!, no dia 6 de junho. Nele eu ensino a Pausa Consciente, essa prática que comentei aqui na mensagem e que uso sempre que estou com a Nara. É dessa forma que consigo não repetir aquilo que meus pais faziam comigo e que tanto me machucou. 🙏

A Pausa Consciente faz parte do módulo de Autorregulação da minha Mentoria Maternar a Criança e já foi ensinada para mais de 900 mães que passaram por lá, e mais de 400 alunos que já participaram das outras edições do Respira, Não Pira. Não canso de receber relatos dessas mães contando como a pausa faz diferença em momentos conflituosos com os filhos.
E como estamos no mês das mães, também montei um combo especial — o Combo Despertar pra Não Pirar! — que une o workshop ao vivo de 6 de junho ao Curso Despertar da Criança Interior, com uma Aula Extra sobre como as experiências da infância moldam nossas reações emocionais, além de bônus exclusivos com a Dra. Priscila Xavier (sobre trauma) e com a Yvonne Laborda (sobre amor incondicional aos filhos).
Este combo é pra quem se identificou especialmente com o que te contei nessa mensagem — pra quem reconhece que aquilo que viveu na infância está vivo nas reações automáticas que tem hoje com os filhos. E no combo, o valor de levar workshop + curso juntos fica menor do que se você comprasse cada um separadamente.
Dá uma olhada nas duas propostas e veja o que faz mais sentido pra você nesse momento: