O que mudou não foram os pais dela. Foi a forma como ela aprendeu a olhar para eles.

Oi amore,

Esses dias uma aluna me mandou uma mensagem contando como foi voltar ao Brasil para passar férias com a família depois de ter finalizado a mentoria.

Ela mora na Europa, viajou sozinha com as filhas e ficou algumas semanas na casa dos pais.

Antes da mentoria, isso costumava ser muito difícil.

A mãe fazia comentários desagradáveis e dava alfinetadas.

Os pais brigavam o tempo todo.

Ela se sentia magoada e estressada com tudo.

Mas dessa vez aconteceu algo diferente.

As situações se repetiram, mas ela conseguiu olhar para aquilo tudo de outro lugar, aceitando que a mãe tinha seu jeito de ser e de ver o mundo.

E, em vez de entrar na dor, na culpa ou na necessidade de se defender ou de convencer a mãe, ela respondeu com leveza.

Ela também percebeu, ao longo da viagem, que a relação dos pais continuava difícil, tensa, cheia de críticas e conflitos.

Mas, pela primeira vez, ela não entrou no lugar de tentar salvar, resolver, mediar ou carregar aquilo nas costas.

Ela me disse:

“Eu consegui lembrar que aquela é a relação deles. Não a minha responsabilidade.”

E depois me falou uma frase que ficou ecoando em mim:

“Parece pouco, mas é muito.”

Porque é muito.

É muito conseguir parar de se incomodar com o jeito e a opinião dos nossos pais.

É muito conseguir deixar de ser a criança codependente que sofre com os problemas dos outros e gasta tempo e energia tentando salvar os demais.