Na parte 2 deste assunto irei trazer detalhes de uma experimentação realizada com a ferramenta de criação de filtros e irei aprofundar um pouco mais as questões sobre o uso dos filtros e sobre como podem se tornar ferramentas de exclusão social.
Quais são os problemas relacionados ao uso de filtros? A culpa é da tecnologia?
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Ao aprofundar as pesquisas sobre os filtros descobri que existem algumas consequências do uso dos filtros numa escala social mais profunda do que imaginava. Antes mesmo que os filtros existissem já se discutia sobre a imagem humana e sobre como nos vemos. A auto-imagem é tratada pela psicologia como uma construção de pensamento do indivíduo e sobre si através de suas relações sociais. O que pensam e falam sobre o individuo, impacta na percepção que se tem sobre si mesmo e sobre a necessidade de se adequar afim de ser aceito ou "bem visto” em seus círculos sociais.
Em seus estudos sobre máscaras sociais e personas, Carl G. Jung, psicólogo, descreve como usamos “máscaras” para alterar nossos comportamentos de acordo com a necessidade e objetivo relacionado ao contexto em que estamos inseridos. Isto é, existem dentro de nós variantes de personas que assumem o controle de acordo com a necessidade. Isso tem haver com “o que somos” x “o que queremos mostrar”. E um problema atrelado a essa questão é como essas personas podem se confundir com o eu verdadeiro, causando distorções na personalidade e atritos nos relacionamentos pessoais.
O motivo de citar Jung aqui é chamar atenção para como as redes sociais se tornam uma possibilidade adicional de apresentação de um “Eu” sob um olhar minuciosamente construído para esconder falhas e defeitos. Essa representação que é construída nas redes sociais ainda é potencializada pelos filtros, já que torna aceitável publicar imagens modificadas de si mesmo distante da realidade, mas próxima de como o individuo gostaria de ser enxergado.
Uma das consequências desse desdobramento é o impacto negativo causado na auto-imagem de pessoas que usam filtros o tempo todo, principalmente nas infância e na adolescência. Esse impacto, à longo prazo, pode evoluir para uma preocupação obsessiva com a aparência física e as falhas percebidas, uma condição conhecida como transtorno dismórfico corporal. Um dos indicativos que chama atenção é um fenômeno recente chamado *Snap Dismorfia,* que indica a mudança de percepção de beleza das pessoas no mundo inteiro e leva em casos extremos à cirurgias plásticas que tem como referência uma selfie com algum efeito digital aplicado.
Buscando entender melhor a tecnologia por trás dos filtros, decidi realizar um experimento usando a ferramenta disponibilizada pelo grupo Meta, dona do Facebook e Instagram, para a criação dos filtros: o Meta Spark Studio.