Era para ser simples. Um braço mecânico articulado com três comandos básicos: extensão, rotação e pinça. Projeto de ciências para a feira do colégio. Só isso.

Ela passara duas semanas tentando montar a versão mais simplificada possível, usando kits escolares e algumas peças que o pai permitira que pegasse da empresa. Os movimentos estavam travando, e a pinça não segurava nada com firmeza. Ela já tinha testado três configurações e cinco variações de programação inexperiente.

Agora, estava sentada numa bancada vazia do setor de prototipagem, a cabeça apoiada nos braços. A estrutura do braço desmontada à frente, com os fios torcidos em espirais indecifráveis. O código, no notebook ao lado, estava repleto de erros que ela não entendia.

Tate entrou sem anunciar. Não olhou diretamente. Observou o projeto por cima do ombro dela.

— Esse é o trabalho da feira?

Ela assentiu, com um som quase inaudível.

— Você parou?

— Só... Está dando tudo errado. E eu não consigo fazer funcionar.

Tate inclinou-se, examinando as conexões.

— Você ligou a saída PWM errada. E o delay está muito alto. Isso deixa a leitura inconsistente.

Ela não respondeu.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos. Depois, disse:

— Você quer que eu corrija?

— Não. Eu não quero que você veja. Está feio. Está horrível.

— Ei. Isso é ensino fundamental. Não é para estar perfeito, é para estar funcional.

Ela ergueu os olhos. A voz saiu embargada.

— Mas eu queria que fosse bom. Eu queria que você achasse bom.

Tate pareceu desconcertado por um instante. Seu semblante não mudou, mas a respiração ficou mais lenta.

— Não precisa ser como eu.

— Mas parece que sim. Sempre.