— Você já pensou que, talvez um dia, a gente se veja e não se reconheça?
— Já. E já tive medo disso.
— Eu ainda tenho.
— Se eu visse você no meio de uma multidão, eu saberia que é você pelo jeito como segura a alça da bolsa.
— E eu te reconheceria pelo modo como anda. Como se não precisasse de ninguém.
— E se o tempo mudar isso?
— Então a gente inventa um sinal. Um código.
— Tipo?
Ela pensou. Pegou uma concha no chão e pôs na mão da amiga.
— Tipo isso. Se um dia a gente não souber mais conversar, você me dá uma concha. Eu vou me lembrar.
— Ok. E se eu me esquecer?
— Eu espero até lembrar.