Tyler desenhou durante horas. Apagava, refazia, coloria com todo o cuidado que seus dedos permitiam. No centro da folha, três figuras com sorrisos largos seguravam as mãos de uma mulher com cabelos longos. Acima, letras tortas: “Feliz Dia das Mães. Da gente.”

Ele a chamou com empolgação infantil, quase tropeçando pelos corredores.

— Olha! É você. E a gente. Eu não sabia desenhar sapatos... então dei tênis pra todo mundo.

Ela riu, pegando o papel com cuidado, como se fosse feito de vidro. O desenho era tosco, os traços tremidos, mas havia tanta ternura ali que doía.

— Eu adorei os tênis. Adorei tudo, Tyler.

Ele se aconchegou no colo dela logo depois, os olhos meio fechando.

[ . . . ]

Na cozinha, ela cortava morangos em silêncio. A mãe, sentada à mesa, apenas observava. Era tarde, mas nenhuma das duas parecia com pressa.

— Quando eu era pequena, você dizia que cada fruta cortada com carinho ficava mais doce. — Disse a garota, com um sorriso curto.

— Eu mentia. Só queria que você aprendesse a ter paciência.

Ela riu baixinho, e entregou uma tigela cheia, cada pedaço arrumado com simetria quase matemática. Sentaram-se lado a lado, dividindo a sobremesa, cada uma com sua colher.

— Você ainda mentiria por mim? — Perguntou, de repente, a filha.

A mãe demorou para responder. — Se fosse para te proteger… sim.

Elas não se olharam. Mas comeram tudo devagar, como se o silêncio entre uma colherada e outra dissesse mais do que qualquer conversa.

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Tate apareceu no fim do dia, com um buquê envolto em um papel branco, sem laço, sem bilhete. Entregou como se fosse um contrato.