Tyler espalhava papéis pela mesa da cozinha moderna do apartamento; balcão de mármore, espaçoso e amplo. Com sua baixa estatura, as pernas infantis tinham um recuo considerável de distância do banco ao chão. Um livro de matemática aberto, lápis mordido, contas erradas.

Tate passou por ali, já de saída, e escutou:

— Isso aqui é impossível! Quem inventou frações deveria ser preso!

Ele, que arqueou a sobrancelha e se atentou ao choramingo, se aproximou do balcão a passos despreocupados. Sentou-se, no banco ao lado.

— Você está errando o básico. — comentou Tate, após menos de dois segundos de mesura.

— Eu tentei fazer de cabeça…

— Sua cabeça não é calculadora. Ainda. Use papel.

Tyler entregou o lápis. Tate suspirou, e então começou a rabiscar o problema no canto do caderno, explicando rápido demais.

— Mais devagar! — reclamou Tyler.

Respirou fundo. A contragosto, desenhou uma pizza.

— Aqui. Isso é metade. E isso é um quarto. Imagine que você só pode comer uma fatia.

O caçula não dizia mais nada, entretanto o sorriso era amplo e fixo ao semblante, como quem se lembraria de algo supérfluo por toda a sua vida.

Tate terminou de explicar, e se levantou para sair.

— Se você tirar menos que B, minta para o pai.

— Mas você vai saber!

— Eu também sei mentir.