Ela estava sentada no chão frio, as costas apoiadas contra a estante abarrotada de livros. Ao redor, um pequeno campo de lenços amassados se espalhava como flores murchas, testemunhas silenciosas. O nariz congestionado emprestava à respiração um ritmo arrastado, quase melancólico, e cada página do livro em suas mãos parecia pesar mais do que o normal. A porta rangeu suavemente, e Tate surgiu, trazendo consigo o aroma reconfortante de algo quente. Nas mãos, equilibrava uma caneca fumegante.
— Chá de maçã não cura rinite. — murmurou ela, sem erguer os olhos da leitura, a voz abafada e rouca.
Tate arqueou uma sobrancelha, a sombra de um sorriso malicioso passando por seu rosto.
— Não cura, mas pelo menos te mantém quieta por uns dez minutos. — respondeu, estendendo a xícara diante dela. — E é a única coisa que você aceita sem torcer o nariz.
Ela hesitou apenas um instante antes de aceitar o presente. Levou a caneca às mãos com um gesto silencioso, o calor do líquido atravessando seus dedos frios. Tate recuou alguns passos, como se já desse a cena por encerrada, mas deixou escapar um comentário baixo, quase dissolvido no ar. Ela ergueu os olhos por um breve momento, tentando decifrar se era ternura ou reprovação o que se escondia em sua voz, mas Tate já se afastava, deixando atrás de si apenas o eco.
— Sempre foi assim. Basta um jardim e você se torna um caos.