Achei muito legal o comentário do André Lemes e do Waldir Crema sobre não verem no OBV – On Balance Volume, um indicador que soma os volumes dos candles positivos e desconta os dos candles negativos – uma justificativa para minha entrada em B3SA3 e em COGN3.

Muita gente boa, tecnicamente muito boa, muitos muito melhores do que eu, usa o OBV para confirmar se há uma acumulação de volume pelos comprados, por exemplo, para dar entrada numa compra. O inverso vale para quem quer operar na venda.

É bem simples: se o OBV está subindo, rompendo uma região de acumulação ou ainda, ficando acima de uma determinada média – como mencionou o Waldir – é compra. Se isso não acontece, não tem compra, porque o “filtro” do OBV está dizendo que não teve acumulo de volume comprador.

Importante: não estou aqui escrevendo para brincar de torcida, ouvir uma criança dizendo “OBV é o melhor porque eu uso”. Isso não traz ganho nenhum, nem para mim, nem para você e pior, nem pro cara que trata o indicador como um Santo Graal.

Por isso, como o André e o Waldir são muito atuantes aqui no TC e são extremamente técnicos, queria dividir esse texto com eles e com todo mundo que gosta de questões mais técnicas de trade.

E abordar as limitações do OBV. Não para dizer que ele não serve para nada, mas para dizer que ele, estatisticamente tem muitos problemas de concepção que limitam muito o seu “edge”, ou seja, o ganho estatístico no acerto do trade.

Esse texto vai ser um pouco mais técnico, então, se você é novato e não entender muito, não se preocupe, com o tempo ele vai ficar mais claro. Mas leia do mesmo jeito, lendo e relendo, pesquisando alguns termos na internet e o próprio funcionamento do indicador, eu tenho convicção que você vai sair melhor depois de ler do que antes. Claro, se você for um profissional querendo avançar tecnicamente.

Então, bora explicar.

Eu usei muito o OBV quando eu comecei a operar, usava muito mesmo.

Como eu programo – uso algoritmo para ler pontos e padrões de entrada – a primeira coisa que fiz foi usar o OBV num robozinho para fazer “o filtro” de compra de papéis e me ajudar a fazer entradas e saídas com menor risco e maior retorno.

Mas o OBV falhava miseravelmente nos meus testes estatísticos ou não dava vantagem relevante para nenhuma estratégia de trade, tipo assim, num trading system de rompimento, ele não ajudava em nada, porque o volume sozinho já dizia se ia rolar ou não, mesma coisa nos tradings baseados em médias. Não era relevante, não agregava.

Explico: quando você programa em qualquer linguagem de computação, você não deve agregar nenhum elemento no seu algoritmo que não te traga vantagens claras para estar lá. Então, por exemplo, se você vai usar o OBV junto com uma média móvel – cruzou a média e confirmando esse movimento no OBV, você compra – só vale a pena usar se esse indicador, estatisticamente, numa boa amostragem, mostrar um ganho relevante.

Se ele empata com a média móvel, esqueça ele, vai só com a média, porque ele é só barulho/noise.

E ele não era relevante. Não trazia ganho nenhum. Então, tirei ele.

Mas ainda assim, ficava a pergunta na cabeça: porque um indicador que soma volume dos comprados – claro que o OBV, esperto que só, usa só o VOLUME QUANTIDADE e não o FINANCEIRO...rsrsrsrs - e vendidos não dá um ganho estatístico relevante? Estranho, né? Tem algo errado ai...

Depois de muito penar e testar... descobri o problema com o indicador: ele lê errado o que está acontecendo no gráfico, por isso, não trazia grandes vantagens no meu trading system.

Um exemplo: um candle de alta – fechamento maior do que a abertura – com um volume de 100 por exemplo, é contabilizado inteiramente como um volume comprador. E isso não é estatisticamente correto, nem reflete o price action. O mesmo se aplica para um candle de baixa – fechamento menor do que a abertura – que seria integralmente descontado do volume acumulado do indicador.

Primeiro de tudo, o candle fechou na parte de cima, de baixo ou no meio do candle? Tem muita importância no price action saber isso. Por quê? Porque se o candle abriu em baixo, subiu e depois caiu, mesmo que ele tenha fechado positivo, ficou claro que os comprados não tiveram força para fechar o candle todo e aquele “pedaço” do trade que é representado pelo pavio da máxima até o fechamento, é vendedor, não comprador.

O pavio abaixo da abertura, por exemplo, é comprador, porque os vendidos perderam a batalha. E o “trecho” da abertura até o fechamento, nesse caso, seria volume comprador. Então, teríamos 2/3 comprados e 1/3 vendido, que, claro, dependendo do tamanho do pavio da máxima até o fechamento, poderia ser de maior proporção.

Só fatorando o candle e o volume, para produzir um número fidedigno.