Localizada no litoral sul da Austrália, Claimport é uma cidade esquecida nos mapas turísticos, mas essencial nos planos de expansão tecnológica do país. Aparentemente comum à primeira vista — com suas ruas estreitas, cafés antigos e faróis encharcados de história — ela abriga segredos disfarçados em concreto úmido, maresia salgada e um céu eternamente ameaçador. Ali, chove mais do que deveria. A cidade parece respirar pelas poças nas calçadas, pelo ranger das marés contra os muros de pedra, pelos espelhos d’água que jamais secam. A praia de Claimport, de difícil acesso, não é feita para banhistas. Seu costão é árido, recortado por rochas negras e escorregadias, onde o vento sopra com força o suficiente para afogar qualquer tentativa de silêncio.

Apesar de seu isolamento aparente, Claimport tornou-se um centro estratégico de inovações graças à presença da Hawkins Integrated Robotics, empresa de alcance internacional que molda a paisagem urbana com estruturas metálicas, drones de manutenção e interfaces tecnológicas discretamente espalhadas pela cidade. O nome da família Hawkins tornou-se sinônimo de poder e influência.

Com um cassino legalizado que funciona como vitrine tecnológica, uma rede hospitalar robusta e um orfanato enigmático que desperta rumores silenciosos, Claimport é marcada pela dualidade entre ostentação e abandono, modernidade e esquecimento. É uma cidade que vigia mais do que celebra, e que camufla sua inquietude sob uma fachada cintilante de inovação.

Untitled