Tyler surgiu na oficina carregando um brinquedo avariado entre as mãos. Era um robô pequeno, com uma das perninhas frouxa e a pintura já gasta.
— Tate, ele parou de andar… — disse, a voz carregada de urgência. — E ele… ele tinha um nome!
Tate ergueu os olhos das ferramentas. — Qual nome?
— Professor Andante.
Com cuidado, Tate recebeu o robô. Girou-o nas mãos, avaliando cada detalhe, até abrir a tampa inferior e espiar os fios.
— Mau contato. Já tentou ligar e desligar?
— Eu soprei nele. Igual videogame antigo.
Tate deixou escapar um sorriso curto, sem dentes, quase disfarçado. Voltou-se ao brinquedo e mexeu nos parafusos.
— Dá ‘pra consertar. Mas vou precisar de tempo.
Tyler o encarou, ansioso. — Promete que vai trazer ele de volta?
— Ele não morreu, Ty. Só ‘tá... descalibrado.
O menino observava cada movimento com atenção solene, como se aquele instante fosse um ritual.
— Você sabe consertar tudo? — perguntou, num tom quase reverente.
Tate hesitou, a chave de fenda parada no ar. — Quase tudo. Menos gente.
Tyler não compreendeu, mas assentiu com seriedade.
— Então conserta o Andante. E, depois... se sobrar tempo, a minha bicicleta.