A máscara desceu, a borracha selando seu rosto como a tampa de um caixão, comprimindo-se contra a pele com uma intimidade sufocante. O gosto metálico da sala de cirurgia invadiu suas narinas, mesclando-se ao odor cortante e acre do antisséptico. Acima dela, as luzes zumbiam e vacilavam, projetando brilhos estéreis em forma de halos que se deformavam pelas paredes em padrões fragmentados. Suas pupilas se dilataram, refletindo aqueles feixes cruéis como diminutos cacos de vidro, tremendo em puro pavor. O silvo do gás encheu-lhe os ouvidos, suave no início, depois agudo e insistente, como uma serpente se enrolando fundo em sua garganta. Ela se contorceu, o pescoço em tensão, os pulmões em chamas. Mas uma mão firme, implacável, a mantinha presa, o aperto frio e calculado contra o calor de seu pulso. Cada tira mordia sua pele, deixando marcas róseas como um mapa tátil de contenção impossível de apagar. Um ruído estrondou lá fora. Seria um trovão?

O ar era veneno. Doce de início, depois amargo, impregnando-se como podridão que se infiltrava em seu peito. Cada respiração o arrastava para dentro, mais fundo, mais denso, até que seus pulmões se agitavam em protesto, empurrando o fármaco ainda mais para dentro de seu corpo apesar da vontade desesperada de resistir. O coração retumbava violento, tambor de pânico em um corpo sem fuga. A visão se turvou; a sala asséptica dissolveu-se em ilusões estilhaçadas. As lâmpadas do teto se curvavam em halos grotescos, os instrumentos metálicos cintilando como olhos predatórios. Suas mãos estremeceram, dedos arranhando o vazio, os pulsos queimando sob as tiras. Um grito abafado ficou preso na máscara, engolido por completo, restando apenas o clamor interno que a dilacerava por dentro.

Foi nesse instante que ela pensou consigo mesma:

Eu não quero mais fazer isso.

Por favor... acho que não quero mais fazer isso.

Ele sorriu, pois sabia que ela não poderia responder. Seus lábios tremeram sob a máscara, implorando numa súplica muda e inútil. Os grandes olhos castanhos, marejados, suplicavam por algo que não podiam pronunciar. Arrependimento. E ainda assim, ao encarar o homem acima dela, sorrindo como se oferecesse conforto, compreendeu que sua escolha havia sido arrancada. Ela também o desejara, à sua maneira. Naquele primeiro instante em que sua mão se demorou na dele, no rubor que veio com as promessas murmuradas — promessas que jamais seriam cumpridas —, ela acreditara que o queria. E por que não deixá-la acreditar? Isso a tornava dócil, moldável, refletia ele.

Seu olhar deslizou além dele, até o canto onde Tate permanecia, braços cruzados, rosto pétreo e silencioso. Ainda tinha fé de que Tate a salvaria, que o vínculo fraterno superaria a ambição do projeto. Ele sentiu um arrepio de prazer quando aquela esperança se desfez em medo.

Então veio sua voz — baixa, suave, calculada — escorrendo calma como uma droga sobreposta à própria droga:

— Respire, ███████. Vai ser mais fácil se não lutar.

Seus cílios tremiam, pesados de lágrimas, rastros úmidos refletindo a luz cruel. O peito arfava, ombros subindo e descendo como frágeis asas presas a correntes invisíveis. O gás engrossava, neblina doce e amarga que se infiltrava em garganta, pulmões e mente. Queria gritar pare, arrancar a máscara, mas a voz era engolida antes de nascer. A mão dele permanecia firme, quase acariciando seu rosto com uma ternura enganosa.

— Você está segura. — continuou, enrolando cada palavra em torno de seu terror como uma lâmina de veludo. — Só mais um pouco. Não tenha medo.

Medo era tudo o que lhe restava. Ele rugia dentro dela, mais alto que o gás, mais alto que a voz dele. Debatia-se, pernas espasmando, coluna arqueada, peito arfando como se pudesse arrancar-se dali. As tiras dilaceravam sua pele, deixando vergões rubros, mas a mesa era inamovível, a máscara absoluta. As mãos se agitavam, dedos se fechando em nada, unhas imprimindo crescentes nas palmas. A esquerda se mantinha cerrada a todo custo; algo cortava sua pele pela pressão de um gesto desesperado.

Os braços tornaram-se de chumbo, o peito constrito, a mente em estilhaços. O espaço inclinava-se e se distorcia; paredes assépticas derretiam em sombras mutantes, sombras em aço, aço em água negra ondulando sobre ela. Cada pulsação gritava fuga, mas não havia para onde ir. A garganta se fechou, a língua pesada, os olhos vidrados em pavor. Por um instante excruciante, teve certeza de que morreria. Afogada pelos próprios pulmões, traída pelo ar que deveria sustentá-la. Ele se inclinou mais perto. O rosto tranquilo, quase afetuoso, mas o brilho nos olhos o denunciava. Lábios roçando sua têmpora, sussurrou, seda envenenada:

— Relaxe, amor. Confie em mim. Logo tudo vai acabar.

O pavor atingiu o auge, fogo consumindo-a de dentro para fora. Ela gritou não em pensamento, em desejo, em cada fragmento destroçado de si, mas o som não escapou. O corpo, vencido, finalmente cedeu. O pânico se dissolveu em torpor, e então a escuridão a engoliu, lisa e sufocante, como afogamento. A última sensação foi a máscara esmagando-lhe o rosto, o silvo enchendo sua mente como gargalhada, cada sopro um eco cruel, cada expiração um prego no caixão de sua consciência. Todo impulso de rebeldia, toda centelha de esperança, desabou no frio abraço da inconsciência.

Os lábios de Aaron se curvaram em um sorriso sombrio, saboreando a perfeição do instante. Os sussurros em sua mente eram corteses, quase gentis, mas de uma satisfação cruel: ele havia conseguido. Para além da máscara, para além da anestesia, para além da coragem vacilante dela, havia dobrado sua frágil vontade, extinguido a essência de sua inocência, despedaçado cada princípio puro a que ela se apegava. Sua queda, completa e irreversível, era dele e apenas dele. A esperança, o medo, o amor fugaz: tudo se desfez em suas mãos. Enquanto a sala respirava em silêncio, exceto pelo último silvo da máscara, Aaron sentiu uma satisfação sombria e requintada. Sua vitória não era o procedimento a seguir, nem o domínio do gás ou do aço, mas o fato de que sua capitulação, sua ruína, lhe pertenciam por inteiro.

Ela havia caído. Caído por completo, irremediavelmente.

E era culpa sua.

Exclusiva, orgulhosamente, sua.